projecto museu do vidro

 

A OLARIA

 

 

 

Nas fábricas de vidros a olaria representa um papel importantíssimo e necessita de pessoal habilitado, pois os utensílios têm de ser de uma perfeição ao maior grau, quer na composição, quer no acabamento.

Nas olarias da indústria vidreira fabricam-se os potes ou cadinhos, as rodelas ou flutuadores, mergulhadores, tijolos, tapadoras, numa palavra, todos os utensílios de barro necessários ao fabrico.

 

Potes

 

«A matéria vitrificável, para se transformar em vidro, necessita ser submetida a altas temperaturas [...].

Ora a fusão faz-se em fornos especiais, dentro dos quais se colocam os cadinhos ou potes que contêm a massa. Estes potes são feitos de uma substância infusível e porosa, e fabricados por forma que não só resistam ao enorme calor, como ao peso da massa, e ainda é preciso que não sejam atacados pelas matérias em fusão.

A matéria infusível empregada na construção dos potes é a argila refractária, a qual deve ser, tanto quanto possível, um silicato de alumina simples, isento de matérias fundentes, tais como o óxido de ferro, cal, magnésio, etc.

As argilas a empregar no fabrico dos potes devem ser sempre puras, mas sendo isso por vezes impossível, é então indispensável corrigi-las dos seus defeitos naturais, misturando-lhes diversas substâncias. Assim, por exemplo, pode acontecer que a argila seja pouco plástica e maleável ou magra [...]». Pode então juntar-se uma determinada proporção de silicato de potassa, silicato de soda, cal, alúmen, etc. «Mas como estas substâncias, principalmente os silicatos, podem alterar a infusibilidade da argila (lei de Berthier) é mais conveniente substituí-las por algumas das seguintes: açucar, alcatrão, sabão de soda ou potassa, dextrina, cola, etc., substâncias estas que depois de haverem produzido o seu efeito a frio enquanto a argila é amassada, desaparecem depois pela exposição do pote ao fogo. Se, porém, a argila é demasiadamente plástica ou gorda, o que pode produzir rupturas durante a secagem ou cozedura, junta-se uma porção de areia, cimentos calcáreos, pó de carvão, ciscos, serradura e palha.

 

Em Portugal, as melhores argilas para a construção dos potes, são as de Casal dos Ossos, Vale do Lena, no distrito de Leiria, aa Bairrada e do Covo. As duas primeiras são notáveis por serem muito refractárias e adquirirem depois de cozidas uma grande solidez e resistência ao calor.

 

A fabricação dos potes constitui não só uma das maiores despesas da indústria vidreira, como depende do pote a boa ou má produção de uma fábrica, visto que os potes mal feitos ou imperfeitos na composição, secagem ou cozedura, podem ocasionar a paralização completa do fabrico».

 

As oficinas de olaria deverão ter pelo menos três divisões: uma destinada ao preparo do barro e amassadura; outra para o fabrico dos potes e a terceira para secagem

 

Depois de três ou quatro meses de estadia nas câmaras de secagem das olarias, quando se desejam usar, os potes são cozidos em fornos especiais ou arcas de tempêro de potes, a uma temperatura de 1000º a 1500º centígrados, que se vai aumentando à medida que o pote coze. Se resistirem a esta cozedura sem se fenderem, estão aptos para o serviço.

«Depois de tantos cuidados e tanto trabalho, um pote que durar dentro do forno 25 a 30 dias, isto é, se fizer 30 fundições, é um bom pote. Quando perfeitos e de bom barro, podem durar em regra 60 dias no máximo.

A capacidade dos potes é variável, não só de país para país, de oficina para oficina e segundo o género de fabrico a que são destinados». Em Portugal, os potes têm em média entre 250 e 400 Kg de capacidade.

A forma dos potes também varia, consoante a obra que se pretende fazer e o tipo de energia usada. Quando os fornos são aquecidos com lenha, usam-se potes abertos, de forma cónica. Se for hulha o combustível utilizado, usam-se potes fechados, para evitar que sobre a pasta de vidro caiam impurezas ou que a possam alterar, e também a entrada do fumo de carvão, que pode alterar a cor do vidro tirando-lhe transparência.

 

Flutuadores, mergulhadores

 

Os flutuadores, também chamados rodelas de colher vidro, são anéis de argila refractária (como os potes) que se lançam sobre a pasta em fusão, por onde o vidreiro colherá o vidro que necessite. Têm formas variáveis. Na exposição pode observar-se uma dessas rodelas, usada na antiga fábrica de Guilherme Pereira Roldão.

 

Os mergulhadores são cilindros rectos ou curvos, ocos e com dimensões também variáveis. A sua função é possibilitar a colha do vidro a diferentes alturas do pote ou tanque onde se encontra a pasta, dado que esta tem diferentes consistências no fundo e à superfície.

 

Tapadouras e tijolos

 

As tapadouras são as tampas das portas do forno, por onde é colhido o vidro. Os tijolos são os elementos de construção dos fornos e têm formatos muito diversos.

 

 

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